Sobre viver com o coração nas mãos

Poucas coisas nos são muito valiosas. Poucas coisas compõem quem somos. Poucas coisas estão vivas e pulsantes em nosso coração neste momento. Poucas são as coisas que nos motivam a viver. Poucas são as respostas essenciais que justificam essa vida que escolhemos viver, e o caminho que escolhemos seguir.

Nas idas e vindas pelas quais passamos, tendemos a observar aquilo que nos influencia, para nos aproximarmos do que nos faz bem e nos afastarmos do que nos prejudica. Certo ou errado, clara ou obscuramente, mantemos essa visão em todas as fases da vida, transformando-a de acordo com as mudanças que se empreendem em nós. Sendo assim, é essa visão, ou melhor, esse conjunto de reflexões, a filosofia que compomos para nossa própria vida, que representa o que temos de mais valioso. É agir e falar em consonância com essa nossa filosofia, o que compreende viver com o coração nas mãos.

O ato de vivermos com o coração nas mãos demanda uma bondade, uma sinceridade e uma entrega que poucos são capazes de exercer num primeiro momento. Esse ato é por si só o ato humano de maior valor, pois significa oferecermos ao outro somente o melhor que conhecemos, sem omitir, sem mentir, sem enfeitar, sem maquiar, sem ofuscar com poses e vozes…

É como falar ao mesmo tempo para Deus e para nosso próprio filho; para o primeiro não podemos mentir ou omitir, para o segundo não aceitamos ensinar menos do que o melhor que sabemos.

Eu iria falar sobre a vantagem de vivermos assim, mas creio que o melhor seja deixar para cada um refletir por si. A resposta vai iluminar, ao mesmo tempo, quem você é e quem você quer ser, quero dizer, sobre o tipo de pessoa que você acha melhor ser.

Se entregue aos outros por inteiro, seja toda sua verdade e seja tão bondoso quanto puder, isso não é vantagem, não te faz superior, isso é uma obrigação e te torna um ser humano digno. Além disso, vai te capacitar a ver quem age da mesma forma, e portanto a saber a quem ouvir, a quem confiar, – mas esta não é a vantagem que mencionei.

Creio que todas as pessoas que querem ser boas em algo, devem ter consciência de que só se pode ser bom se entregarmos, junto daquilo em que pretendermos ser bons, o nosso coração, – único, rico, belo, grotesco, delicado e vulnerável, sem receio dele não ser recebido da forma que julgamos merecer.

Por fim, entregue com o coração e também receba com ele. Não tenha medo de se ferir, tenha medo de existir sem enxergar as belezas dos atos humanos, da natureza e do divino.

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