Há muito tempo estive com essa impressão, sem conseguir verbalizá-la para poder refletir sobre ela. Mas há um minuto ocorreu, e logo vim registrar o que viesse à minha cabeça, pois para mim o tema é um dos mais caros que jamais poderia existir.

Na verdade tudo não passa de uma suspeita minha, mas uma suspeita notável, que por si só merece ser compartilhada. Não duvido que algum autor, algum santo, tenha se dedicado nessa questão, mas nos livros que li durante a vida, essa questão surge apenas de forma subliminar, sempre indiretamente, como uma verdade grandiosa mas sobre a qual ninguém fala diretamente, ou mesmo percebe.

A realidade espiritual tem três possíveis destinos, o quais, o inferno, o purgatório e o paraíso, mas a vida terrena pode se tornar uma fase de antecipação dos dois primeiros, ou seja, a vida deixa de ser comum, onde seguimos vivendo e errando sobre atos santos ou pecaminosos, escolhendo constantemente entre o certo e o errado, para então tornar-se uma antecipação do que virá após fase terrena de nossa vida.

É realmente difícil conceber que algo tão sobrenatural ocorra nessa mesma realidade em que todos os nossos sentidos estão direcionados, e que ainda assim nada percebem. Mas tenho um princípio que uso em muitas das especulações que faço, que se baseia na suspeita de que se existe a mais mínima possibilidade de que haja alguma intervenção divina no fato que estou observando, essa intervenção deve ser levada em conta na mesma proporção que todos os outros detalhes naturais, fisiológicos e ambientais que de que tenhamos à disposição. E então entra nessa investigação um fato de especial grandeza… Partindo do princípio que Deus sabe de todas as coisas, inclusive das respostas à questões que nunca nos foram feitas, ou que fossem feitas apenas no próximo estágio da nossa existência, Ele saberia o que diríamos se Ele nos oferecesse entre a opção de vivermos em plena saúde até o último instante de nossas vidas e logo em seguida irmos para onde nossos pecados fossem expiados, ou de começarmos a “pagar” nossos pecados aqui, para termos uma “dívida” menor assim que partíssemos… Nessa hipótese eu diria, com total convicção, que estou disposto à começar a pagar aqui, mesmo sem saber se seria por meio de algum martírio, de alguma doença, de algum acidente, de algum sofrimento, etc. Tudo para santificar meu espírito e ir para junto Dele.

Imagine que isto esteja presente em nossa realidade. Presente desde o início dos tempos. Isso justificaria muitas coisas, não é mesmo? Mas nesse ponto sinto que devo me recolher e não mais especular, pois caso eu esteja errado, estarei plantando na imaginação de vocês algo que não tenho o direito de plantar, algo que pode ser prejudicial até.

Uns dizem que nada na nossa realidade é milagre. Outros dizem que uma coisa ou outra é milagre. E menos ainda são os que dizem que tudo o que compõe nossa realidade é, sem exagero, uma sucessão incrível, inesgotável, de milagres.