Não pretendo falar de um sentimento, mas de um ato. Amor, quem sabe o que significa, sabe que é algo bom. Bom em qualquer hipótese. E quanto mais difícil é a situação, como mais valioso ele pode ser enxergado. Quanto menos demanda ser amado aquele que ama, mais profundo pode ser visto o amor que possui.

Mas ser bom não significa causar alegria, o que também não significa causar o oposto, que é tristeza, amargura, ressentimento… Pode sim causar um vazio, um vazio impreenchível por qualquer outra pessoa. E diante desse vazio a pessoa que ama deverá decidir se quer esquecer ou se quer lembrar.

Se o amor for grande mesmo, a resposta é inevitável. O amar é a única opção. Amar à distância. Amar o olhar não correspondido, o sorriso não compartilhado, o sonho não sonhado em conjunto, a vida vivida em saparado. Amar uma existência desconhecida. Amar um ser humano com todas as escolhas que o levaram à outra pessoa, a outro destino, a outros sonhos. Amar o nada é não sentir falta do todo.

Amar é algo sobrenatural.

Talvez amar assim seja mais incrível do que amar tendo a pessoa consigo. Não digo que é melhor, mas realmente mais difícil de acreditar que é amor de verdade, que alguém realmente pode amar uma pessoa em tais circunstâncias.

No fim, amar assim é amar numa corda bamba, num caminho que nos coloca em risco o tempo todo, risco de desabar num deslumbre e acabar apaixonado outra vez. Apaixonado e destruído. Desmantelado entre o mais arrebatador dos sentimentos e a realidade de não poder se ter quem se ama.

Mas como a queda não é garantida, amar é a solução para não cair, amar, amar e não se apaixonar.