É triste amar, adorar, uma coisa, que sabemos que de forma alguma vai durar para sempre, independente do que fizermos.

A maioria das obras de arte mais belas que já vi retratam isso. Isso e nada mais. Ou é uma paisagem perfeita que possui todos os elementos necessários, no instante ideal, sob a luz ideal, recebendo o vento propício, tudo na posição e ângulo que faz com que tudo contribua para uma visão, um vislumbre, uma contemplação, que nos fará perceber o privilégio que é estar ali, naquele ponto, naquele momento, podendo percebê-la. Existem muitos momentos assim, para nossa sorte, mas me pergunto se não seria um tipo de espetáculo que alguns anjos vão fazendo no dia-a-dia, e então nos levam a poder apreciá-los. Não sei, é claro, mas eu não me surpreenderia se fosse. É indiscutível que presenciar momentos como esse é algo maravilhoso, e que há algo de sagrado nisso.

Talvez seja esse tipo de contemplação a única que nos motiva a criar arte.

Veja bem, as músicas, alguém já compôs algo com o objetivo de que fosse ruim, sem as características de uma música boa, agradável? Certamente não, pois mesmo as piores músicas agradavam aqueles que as compuseram, e se agradavam é porque representavam esse deslumbre que se tem diante do impacto de amor arrebatador que temos de algo fugaz.

Tanto o solo de um flautista pode ser algo magnífico, quanto uma sinfonia que fizesse desse solo apenas uma das belezas que o constroem.

Temos sorte de termos artistas entre nós. Pessoas com sensibilidade capaz de perceber sutilezas e expô-las diante de nossos olhos de forma que ela continua sendo o que é, mas ao mesmo tempo está mais revelada do que a própria realidade. Artistas são parte da natureza.

 

 

IMAGEM: Caspar David Friedrich – Zwei Männer in Betrachtung des Mondes (Dois homens contemplando a lua)